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A busca da equipe perfeita

Adriano Garcia

Maturidade acalma. Traz sossego. Nos livra de melindres. Gente madura olha nos olhos. Gente madura compreende, não cria caso, não age pra atingir nem faz uso de indiretas. Aliás ser maduro é ser direto, objetivo. É aprender com os erros, ao invés de paralisar com eles. A chegada aos 18 anos traz o marco que encerra simbolicamente o turbilhão de transformações da adolescência e inicia uma etapa da vida com mais responsabilidade e autonomia. É óbvio que o colorado já passou a muito dos 18 anos, um clube já com seus 108 anos de existência, porém 2018 começa principalmente com a esperança de calmaria. Depois da tempestade, vem a bonança. Geralmente é assim que acontece na vida, e o ano que começa no Beira-Rio promete ser um ano de mudanças. E para conquistar essa maturidade o escrete vermelho terá de se reinventar na forma de jogar. Talvez buscar no passado o aprendizado necessário para por em prática essa mudança.

O novo técnico do Inter o Odair Hellmann precisará por sua ideias em prática, capacidade ele tem pra isso; é um dos técnicos da nova geração, um estudioso do futebol. Historicamente, a torcida colorada sempre se identificou com times que criassem situações através da posse de bola, que valorizassem o passe, com jogadores de qualidade técnica do meio pra frente e com solidez e “garra” no setor defensivo.

Inter hexacampeão gaúcho 1945 (Acervo do Internacional)

Inter hexacampeão gaúcho 1945 (Acervo do Internacional)

Inter campeão Brasileiro 1975 (Acervo do Internacional)

Inter campeão Brasileiro 1975 (Acervo do Internacional)

O Rolo Compressor, a máquina de Figueroa e Falcão dos anos 70, o Inter de Abel e o de Tite. Essas são referencias vitoriosas, mas que além dos títulos, tinham um jeito de jogar que agradava ao torcedor, pois ele se identificava com aquilo. O Inter de Ênio Andrade (1987) e o do GreNal do Século (1989), também entram nessa linha de afetividade, mesmo sem os grandes títulos. É claro que o objetivo sempre será a conquista de títulos e glórias, no entanto o regate de uma plasticidade na forma de jogar também deve ser o grande objetivo.

É isso que Odair está pensando, e será preciso, para que ele consiga trazer isto, peças técnicas que tragam com rapidez a esta resposta. Dentro do futebol atual, onde a intensidade aumentou e os espaços ficaram escassos, o segredo para um futebol propositivo, de posse de bola e passe, são as chamadas conexões. Aliás essa tônica de pouco espaço traz a um detalhe pitoresco que denomina e reforça que é mais fácil destruir ao invés de construir. Mas é preciso salientar que o destruir pode ser o começo do construir, ou seja o escrete tem em seu elenco jogadores que a primordial qualidade é o desarme. Não obstante a isso a qualidade no toque de bola, no bom passe, nos lançamentos curtos e longos são fatores importantes e deve haver o casamento entre esses setores, conexões em todos as funções do campo.

Sem esse equilíbrio fica praticamente impossível a implantação de qualquer que seja o esquema de jogo aplicado. Maduro é quem é capaz de enxergar os próprios defeitos, e ciente disto, avalia e reage aos eventos de maneira consciente. Afinal de contas, somos repletos de defeitos e qualidades. É uma equipe madura, equilibrada e o que a torcida deseja…

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

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